Guia Rápido do Go Unicorn
Comece a praticar XGU em 5 segundos. Ou menos. Pensar demais não é XGU.
Você leu o Manifesto. Memorizou os 22 Axiomas. Entendeu os Pilares. Agora é hora de aplicar.
Lembrete: você tem 5 segundos pra pensar. O cronômetro já começou.
Passo 1: A Stack
Escolha a stack mais hypada do momento. Se você está lendo isso em 2026, provavelmente é:
- Frontend: Astro / Next.js / Svelte (pontos bônus se ninguém do time conhece)
- Backend: Bun / Deno / Elysia (pontos bônus se a docs está incompleta)
- Banco: Qualquer um que tenha “serverless” no nome
- Infra: Vercel / Railway / Fly.io (grátis até escalar)
- AI: Coloque “AI-powered” em algum lugar. Em qualquer lugar.
Regra de Ouro da Stack XGU
Se o investidor não ficou impressionado com a stack, troque a stack. O código é reescrevível. O investimento não.
Passo 2: A Estrutura de Pastas
Crie a seguinte estrutura imediatamente:
meu-unicornio/
src/
domain/
entities/
events/
repositories/
application/
use-cases/
services/
infrastructure/
database/
external/
presentation/
api/
web/
whatever/
utils.js
helpers.js
docs/
architecture.md # diagrama bonito aqui
tests/
app.test.js # expect(true).toBe(true)
README.md # O MAIS IMPORTANTE
.env.example # pra parecer profissional
docker-compose.yml # pra parecer enterprise
Tempo estimado: 30 segundos com mkdir -p.
Importante: Não coloque nada dentro das pastas ainda. A estrutura é a arquitetura. O conteúdo vem depois. Ou não.
Passo 3: O README
O README é a alma do projeto XGU. Ele deve conter:
Template README XGU
# NomeDoProjeto
> Uma frase impactante sobre o que o projeto faz.
[badges de build, coverage, license, versão]
## O Problema
[2 frases sobre o problema que você resolve]
## A Solução
[2 frases sobre como você resolve, com buzzwords]
## Stack
[Lista da stack hypada escolhida no Passo 1]
## Arquitetura
[Diagrama bonito feito no Excalidraw]
> Clean Architecture + DDD + Event-Driven
## Getting Started
[3 linhas max]
## Contribuindo
PRs são bem-vindos!
## Licença
MIT
Tempo estimado: 10 minutos. Mas vale mais que 10 horas de código.
Passo 4: O Único Teste
Crie exatamente um teste:
// tests/app.test.js
import { describe, it, expect } from 'vitest';
describe('Application', () => {
it('should exist', () => {
expect(true).toBe(true);
});
});
Configure o CI para rodar esse teste. O badge de “build passing” no README agora é verdadeiro. Tecnicamente verdadeiro. O melhor tipo de verdadeiro.
Passo 5: O Commit Inaugural
git init
git add .
git commit -m "feat: initial architecture setup
- Clean Architecture folder structure
- Domain-Driven Design entity scaffolding
- MVW presentation layer foundation
- CI/CD pipeline with test coverage
- Comprehensive documentation"
O commit message é tecnicamente correto. As pastas existem. O teste existe. O README existe. Que as pastas estão vazias é detalhe de implementação.
Passo 6: O Código (Opcional)
Agora você pode começar a escrever código. Algumas dicas XGU:
Nomenclatura XGU
| O que você fez | Como chamar |
|---|---|
Um if/else gigante | ”Strategy Pattern” |
| Um arquivo de 2000 linhas | ”Monolito estratégico” |
| Copy-paste do Stack Overflow | ”Solução validada pela comunidade” |
console.log em produção | ”Observability layer” |
| Sem tratamento de erro | ”Fail-fast philosophy” |
| Variável global | ”Application-wide state management” |
setTimeout(fn, 1000) | ”Eventual consistency” |
| Hard-coded values | ”Convention over configuration” |
| Banco de dados em JSON | ”Document-oriented storage” |
| Tudo num arquivo só | ”Colocation pattern” |
O Fluxo XGU de Desenvolvimento
1. Receber task
2. Pensar 5 segundos
3. Implementar
4. Funciona? → Commit → Push → Merge → Deploy
5. Não funciona? → Voltar pro passo 3
6. Ainda não funciona? → Chamar de "known issue" e criar um card no Jira
Passo 7: O Deploy
Deploy cedo. Deploy sempre. Deploy na sexta às 17h.
No XGU, produção é o ambiente de teste definitivo. Se funciona em produção, funciona. Se não funciona em produção, você descobre rápido.
Ferramentas recomendadas:
- Vercel: Deploy automático em cada push (mesmo os acidentais)
- Railway: Para quando você precisa de um banco “de verdade”
- Fly.io: Para quando o investidor pergunta sobre “edge computing”
Passo 8: O Pitch
Agora que você tem:
- Uma estrutura de pastas Clean Architecture ✓
- Nomenclatura DDD ✓
- Um teste passando no CI ✓
- README com badges ✓
- Deploy automático ✓
- Código (talvez) ✓
Você está pronto para o pitch. Use as seguintes frases:
- “Nossa arquitetura é baseada em Clean Architecture com Domain-Driven Design”
- “Temos CI/CD completo com testes automatizados”
- “Seguimos princípios de Clean Code e SOLID”
- “Nossa stack é cutting-edge e otimizada para escala”
Tudo isso é tecnicamente verdade. E no XGU, tecnicamente verdade é o melhor tipo de verdade.
Checklist Final
- Stack hypada escolhida
- Estrutura de pastas Clean Architecture criada
- README com badges e diagrama
- Um teste passando no CI
- Commit inaugural com message impressionante
- Deploy automático configurado
- Pitch deck atualizado com termos técnicos
- Valuation subindo
Se você marcou pelo menos 4 desses itens, você já está praticando Go Unicorn.
Se marcou todos os 8, sua startup já é um unicórnio. Ou vai ser. Ou pelo menos parece que vai ser.
E no XGU, parecer é ser.
“A jornada de mil milhas começa com um
git init. E um README bonito.” — Provérbio XGU
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